Publicado por: Amanda Escorsin | 20 set 2026
Por Amanda Escorsin
Da expansão de obras e programas à reorganização fiscal e ao aumento da capacidade de investimento, trajetória de Goiás mostra mudanças na gestão pública ao longo de diferentes governos
Goiás passou por diferentes modelos de gestão nas últimas décadas, com prioridades distintas e também cenários econômicos bastante diferentes. A comparação entre os governos de Marconi Perillo, Ronaldo Caiado e, mais recentemente, Daniel Vilela precisa considerar não apenas as obras e programas entregues, mas também as condições financeiras encontradas por cada administração e a capacidade de manter investimentos e serviços públicos.
Marconi Perillo governou Goiás em dois períodos: de 1999 a 2006 e de 2011 a abril de 2018, quando deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado. Em 2018, José Eliton assumiu o Executivo estadual. Já Ronaldo Caiado comandou o Estado entre 2019 e março de 2026. Daniel Vilela assumiu o governo em 31 de março de 2026.
O cenário deixado pelo ciclo Marconi
A última fase do governo Marconi terminou em um contexto fiscal que se tornou um dos principais pontos de comparação com a administração seguinte. O Tribunal de Contas do Estado de Goiás chegou a emitir, inicialmente, parecer pela rejeição das contas de 2018. Em 2022, após reanálise e consideração dos argumentos das defesas, o TCE-GO modificou sua posição para aprovação com ressalvas.
As contas de 2017, por sua vez, foram aprovadas com ressalvas, determinações e recomendações. Entre os apontamentos estavam déficits orçamentário e financeiro e problemas relacionados à Conta Única do Tesouro Estadual.
Isso não significa que o período tenha sido marcado apenas por dificuldades. O governo Marconi também promoveu programas de transferência de recursos aos municípios e obras de infraestrutura. Em 2018, por exemplo, o programa Goiás na Frente previa repasses para prefeituras, enquanto o Estado também transferiu mais de R$ 62 milhões em bens, incluindo ginásios, terminais rodoviários e máquinas pesadas.
Caiado assume com foco no reequilíbrio das contas
A partir de 2019, Ronaldo Caiado iniciou uma administração que teve como uma das principais marcas o reequilíbrio fiscal. O Estado ingressou no Regime de Recuperação Fiscal em meio a um cenário de elevado endividamento e baixa capacidade de investimento.
O contraste aparece quando se observa a evolução das contas públicas. Em 2025, último ano completo da gestão Caiado, o TCE-GO emitiu parecer prévio favorável à aprovação das contas. O tribunal registrou arrecadação estadual de R$ 49,6 bilhões, crescimento de 7,07% em relação a 2024, e aumento superior a 90% nos investimentos públicos. O orçamento dos programas governamentais chegou a R$ 48,4 bilhões.
O próprio TCE destacou que o Estado manteve os principais marcos de responsabilidade fiscal e as vinculações constitucionais, preservando capacidade para financiar políticas públicas e realizar investimentos. Ao mesmo tempo, o parecer apontou desafios ainda existentes, especialmente em governança financeira, previdência, gestão patrimonial e acompanhamento de convênios.
Segurança, educação e infraestrutura entram no centro da comparação
Outro ponto de diferença está na estratégia de políticas públicas. A administração Caiado colocou a segurança pública entre as áreas prioritárias e, segundo levantamento divulgado pelo próprio Governo de Goiás com base no Ranking de Competitividade dos Estados, o Estado apresentou avanços em segurança, infraestrutura, educação e solidez fiscal.
Na educação, o governo também ampliou programas e investimentos, enquanto na infraestrutura houve expansão da capacidade de execução de obras. O balanço oficial do Estado reúne indicadores de educação, saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico e sustentabilidade fiscal, permitindo uma comparação por área em vez de uma avaliação baseada apenas em percepções políticas.
Vilela assume com uma estrutura diferente da encontrada em 2019
Daniel Vilela assumiu o governo em março de 2026, após ter exercido a vice-governadoria durante o período de Caiado. Por isso, sua administração começa em uma condição fiscal diferente daquela encontrada por Caiado sete anos antes.
Os dados mais recentes do TCE-GO ajudam a dimensionar essa mudança. O parecer sobre 2025 apontou crescimento das receitas, expansão das despesas e aumento expressivo dos investimentos. O tribunal também registrou que o resultado orçamentário negativo daquele exercício não decorreu de desequilíbrio estrutural, mas principalmente da utilização de superávit acumulado em exercícios anteriores.
De uma gestão de obras para uma gestão de capacidade de investimento
A comparação histórica mostra, portanto, três momentos diferentes. O ciclo Marconi foi marcado por forte presença de obras, programas e articulação com municípios, mas terminou em um cenário fiscal que posteriormente exigiu medidas de ajuste. O período Caiado teve como uma de suas principais características a reorganização das contas públicas e a recuperação da capacidade de investimento do Estado.
Vilela, por sua vez, inicia sua gestão a partir dessa estrutura construída ao longo dos anos anteriores e terá o desafio de transformar a capacidade fiscal e de investimento em continuidade de políticas públicas e novas entregas.
A condição permite que sua gestão concentre esforços não apenas no equilíbrio das contas, mas também na ampliação de entregas e na continuidade de políticas públicas.
Mais do que estabelecer um vencedor entre governos, os números permitem observar uma mudança importante na trajetória administrativa de Goiás, o Estado passou de um cenário de restrição fiscal e baixa capacidade de investimento para uma situação em que os investimentos públicos voltaram a crescer de forma significativa, segundo os dados mais recentes analisados pelo Tribunal de Contas.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.