Publicado por: Amanda Escorsin | 18 out 2026
Durante debate presidencial na Band, neste domingo (18), candidatos divergiram sobre a saída temporária de presos. Lula defendeu a recuperação de detentos com bom comportamento, enquanto Flávio Bolsonaro questionou a prioridade dada aos direitos dos condenados em relação à segurança das vítimas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um confronto sobre segurança pública durante o debate presidencial realizado pela Band neste domingo (18 de outubro). A discussão ganhou intensidade quando os candidatos abordaram a saída temporária de presos, popularmente conhecida como “saidinha”, e apresentaram posições distintas sobre os direitos dos detentos e a proteção das vítimas.
Flávio Bolsonaro questionou o presidente sobre sua posição em relação ao benefício concedido a determinados presos durante o cumprimento da pena. “Por que você está sempre pensando nos direitos dos bandidos e não está pensando nos direitos das vítimas?”, perguntou o senador, defendendo maior atenção à segurança da população e às consequências da criminalidade para as famílias brasileiras.
Em resposta, Lula argumentou que o sistema penitenciário deve cumprir também a função de ressocializar pessoas condenadas. Segundo o presidente, a ocorrência de crimes praticados por beneficiários da saída temporária não deveria justificar a punição de todos os detentos que cumprem os requisitos legais. “Não é porque um cidadão saiu e cometeu um erro que você vai punir milhares de pessoas que conquistaram o direito de sair diante da Justiça brasileira”, afirmou.
O presidente também defendeu a importância da convivência familiar no processo de recuperação dos presos. Para Lula, detentos que apresentam bom comportamento e demonstram condições de reintegração à sociedade devem ter seus direitos avaliados conforme a legislação. Ele ressaltou, entretanto, que condenados por crimes graves, como estupro e violência contra mulheres, não deveriam receber o benefício.
Flávio Bolsonaro rebateu as declarações e reforçou seu posicionamento favorável a medidas mais rigorosas na segurança pública. O senador argumentou que a preocupação do Estado deve estar concentrada na proteção das vítimas e na prevenção de novos crimes, criticando políticas que, em sua avaliação, podem permitir o retorno de criminosos às ruas durante o cumprimento das penas.
O confronto também envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula mencionou a possibilidade de Flávio conceder indulto ao pai caso seja eleito presidente da República e questionou as implicações jurídicas de uma eventual medida. A discussão ampliou o embate entre os candidatos sobre os limites dos benefícios penais e o papel do Estado na execução das condenações.
A saída temporária passou por mudanças na legislação brasileira em 2024, com a sanção da Lei nº 14.843, que restringiu o benefício. Atualmente, a concessão depende das condições previstas em lei e da análise judicial, considerando também as regras aplicáveis à data dos fatos e à situação de cada condenado. A legislação estabelece restrições específicas, especialmente para determinados crimes praticados com violência ou grave ameaça.
O episódio evidenciou diferentes abordagens sobre o sistema prisional brasileiro. Enquanto Lula destacou a importância da ressocialização e da manutenção dos vínculos familiares, Flávio Bolsonaro concentrou seu discurso na segurança pública, na proteção das vítimas e no endurecimento das medidas contra a criminalidade.
Em meio à disputa presidencial, o tema permanece no centro do debate nacional, envolvendo questões como reincidência criminal, direitos fundamentais, efetividade das penas e políticas de prevenção à violência.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.