Publicado por: Amanda Escorsin | 18 out 2026
Durante debate presidencial na Band, neste domingo (18), candidatos trocaram acusações envolvendo o Banco Master, financiamento de filmes, suspeitas de corrupção e investigações relacionadas ao INSS. Questionamentos sobre movimentações milionárias e familiares marcaram o confronto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um dos momentos mais tensos do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band neste domingo (18). Em meio a acusações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, os candidatos cobraram explicações sobre valores milionários, supostas articulações políticas e investigações relacionadas a familiares. Apesar das cobranças, pontos centrais das acusações permaneceram sem esclarecimentos conclusivos durante o confronto.
Lula pressionou Flávio Bolsonaro a explicar a negociação de aproximadamente R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, relacionada ao financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O presidente insistiu em questionar o destino dos recursos e a relação do senador com o empresário. Flávio não apresentou, naquele momento, uma prestação de contas detalhada sobre os valores, mas já havia declarado anteriormente que buscou patrocínio privado para o filme, sem oferecer contrapartida política.
Em resposta, Flávio voltou suas críticas ao presidente e mencionou um suposto pagamento de R$ 30 milhões ao Instituto Lula, que teria sido destinado ao financiamento de um documentário sobre o petista. A acusação foi associada a um áudio atribuído a Vorcaro e divulgado pela revista Veja. Entretanto, a autenticidade do material não foi confirmada pela Polícia Federal nem pela defesa do ex-banqueiro. A Procuradoria-Geral da República também contestou a existência de documentação referente ao suposto relato, enquanto a campanha de Lula classificou a acusação como uma farsa.
Outro momento de tensão ocorreu quando Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre Roberta Luchsinger, mencionada em investigações relacionadas ao escândalo de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O senador citou declarações feitas pela empresária em entrevista e cobrou explicações sobre sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. “Lula, você conhece Roberta Luchsinger?”, perguntou Flávio, insistindo para que o adversário esclarecesse o assunto.
Lula evitou responder diretamente sobre sua relação pessoal com Roberta e atribuiu a apuração das acusações às autoridades competentes. “A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar”, declarou o presidente. Flávio insistiu nos questionamentos sobre Lulinha e sugeriu que o governo estaria protegendo pessoas próximas ao petista. Lula rebateu afirmando que eventuais irregularidades devem ser investigadas e que seu filho poderá prestar esclarecimentos. As acusações mencionadas pelo senador não constituem, por si só, comprovação de envolvimento criminal.
O embate também envolveu reuniões entre representantes do governo federal e Daniel Vorcaro. Flávio questionou o presidente sobre um encontro com o empresário, do qual também teriam participado integrantes da equipe econômica, e insinuou a possibilidade de favorecimento ao Banco Master. Lula reagiu afirmando que Vorcaro havia se consolidado no setor bancário durante a gestão de Jair Bolsonaro e acabou preso durante seu governo. O presidente também acusou o adversário de disseminar informações falsas sobre o caso.
Ao longo do confronto, os candidatos elevaram o tom, interromperam respostas e trocaram acusações sobre corrupção, patrimônio e responsabilidades políticas. Enquanto Lula insistiu nos questionamentos sobre o financiamento do filme de Jair Bolsonaro, Flávio concentrou suas críticas nas suspeitas envolvendo o Instituto Lula, Roberta Luchsinger e o filho do presidente. As cobranças se sucederam sem que todas as questões fossem esclarecidas durante o debate.
O episódio colocou novamente o Banco Master e as investigações relacionadas ao INSS no centro da disputa presidencial. As negociações envolvendo o financiamento de produções cinematográficas, os supostos repasses financeiros e as acusações relacionadas a familiares dos candidatos possuem situações probatórias distintas e dependem de análise documental e das autoridades competentes. A existência de acusações políticas não significa comprovação de crimes.
O primeiro confronto televisivo entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno evidenciou a centralidade dos escândalos financeiros na campanha eleitoral. Em meio às cobranças milionárias e aos questionamentos sobre familiares, os candidatos deixaram sem respostas conclusivas parte das dúvidas levantadas durante o debate deste domingo.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.