Publicado por: Amanda Escorsin | 18 set 2026
Mãe, jornalista, radialista e empreendedora, Cléia Araújo construiu uma trajetória marcada pela comunicação, pelo serviço público e pela proximidade com mulheres do Distrito Federal. Mesmo tendo ocupado cargos de chefia no GDF, manteve uma rotina de trabalho que também passou pelas ruas, pelas entregas e pelo transporte de mulheres.
Nascida no Ceará, Cléia Araújo chegou a Brasília aos 5 anos de idade, quando o pai conseguiu uma oportunidade de trabalho em um orfanato. Com muito esforço, ele conquistou uma pequena casa para reunir a família e começar uma nova vida na capital. Foi ali que Cléia cresceu, estudou e construiu sua história. Ela guarda da infância a lembrança de um período feliz, cercada pelas crianças que viviam no orfanato e que, segundo ela, acabaram se tornando como irmãos.
Vinda de uma família simples, Cléia conta que recebeu dos pais ensinamentos que levaria para toda a vida, como dignidade, respeito, fé e perseverança. Na juventude, encontrou na comunicação uma forma de transformar sua relação com as pessoas. O sonho inicial era trabalhar como atriz e estar na televisão, mas o caminho acabou sendo outro. Tornou-se jornalista e radialista, profissão que, segundo ela, permitiu conhecer diferentes realidades, ouvir histórias e compreender de perto os desafios enfrentados por muitas famílias.
Foi durante a pandemia, em 2020, que uma nova frente profissional ganhou força. Naquele período, Cléia já trabalhava como jornalista e radialista e acompanhava o impacto da crise econômica, com estabelecimentos fechados e famílias enfrentando dificuldades para manter a renda. A situação despertou seu lado empreendedor. Primeiro, começou a vender as próprias roupas por meio de um brechó online. Depois, passou a produzir cestas de café da manhã e comemorações para datas como Dia das Mães, Dia dos Namorados e aniversários. O negócio cresceu e abriu espaço para outros produtos, entre eles lingerie e semijoias.


O encontro com o empreendedorismo social
A rotina empreendedora também a levou para as ruas. Para realizar as próprias entregas e reduzir os gastos com combustível, Cléia passou a trabalhar como motorista de aplicativo. A experiência, porém, ganhou outro significado. Além de uma alternativa de renda, o trabalho permitiu que ela estivesse próxima de outras mulheres, oferecendo um transporte no qual buscava proporcionar mais segurança e tranquilidade. Dentro do carro, surgiram conversas, histórias, amizades, clientes e novas conexões. Para Cléia, muitas vezes, mais do que uma corrida, aquele momento representava uma oportunidade de ouvir e acolher.
A disposição para trabalhar diretamente com o público permaneceu mesmo quando sua trajetória profissional passou por posições de liderança e cargos de chefia. Para ela, empreender nunca esteve relacionado apenas ao status de uma função, mas à disposição para trabalhar, criar oportunidades e buscar soluções. A experiência também se somou ao trabalho desenvolvido na comunicação, onde encontrou maneiras de ajudar mulheres por meio de parcerias, ações de autoestima e oportunidades.
Ao longo desse caminho, Cléia conheceu mulheres de diferentes regiões do Distrito Federal. Donas de casa, mães, empreendedoras e mulheres que enfrentavam situações de vulnerabilidade passaram a fazer parte de suas histórias. Algumas precisavam de uma oportunidade, outras de apoio ou simplesmente de alguém disposto a escutá-las. A própria experiência de violência também fez com que ela reconhecesse de maneira ainda mais profunda as dores de outras mulheres.
Mãe, Cléia aponta o filho como uma de suas maiores bênçãos e uma das principais motivações para continuar trabalhando por um futuro melhor para as famílias e para as próximas gerações. Em dezembro de 2024, enfrentou ainda a perda de uma irmã mais velha, uma dor que, segundo ela, permanece presente na família, especialmente para os pais.
É dessa combinação entre comunicação, trabalho, empreendedorismo e experiências pessoais que Cléia diz ter encontrado seu propósito. Em 2026, colocou seu nome como candidata à Câmara Legislativa do Distrito Federal. A decisão, segundo sua trajetória, representa uma nova etapa de um caminho que começou ainda na infância em Brasília e passou por diferentes formas de trabalhar com pessoas, ouvir histórias e buscar oportunidades.
Mais do que uma mudança de profissão, a entrada na vida pública aparece, em sua narrativa, como uma continuidade das experiências que acumulou ao longo dos anos. A jornalista que aprendeu a ouvir pessoas no rádio, a empreendedora que vendeu roupas, preparou cestas e fez entregas, e a motorista de aplicativo que conheceu histórias dentro do carro chega a esse novo momento levando consigo uma trajetória construída em diferentes espaços e relações.
Para acompanhar o trabalho e os projetos de Cléia Araújo:
Instagram: @cleinhadf
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.