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Publicado por: Amanda Escorsin | 16 set 2026
Crise envolvendo ministros, decisões judiciais e possibilidade de novas indicações colocam o Supremo no centro do debate eleitoral
A pouco menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar um espaço cada vez maior no debate político nacional. A crise envolvendo ministros da Corte, as investigações relacionadas ao caso Master e as decisões judiciais com repercussão política alimentam uma discussão que vai além dos processos em julgamento.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em setembro mostra uma percepção ambígua da população em relação ao tribunal. Segundo o levantamento, 76% dos entrevistados consideram que os ministros do STF têm poder demais, enquanto 71% afirmam que a Corte é essencial para a democracia. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre os dias 8 e 10 de setembro.
O mesmo levantamento indica que, apesar da repercussão das acusações envolvendo ministros, 85% dos entrevistados disseram que as denúncias relacionadas a Alexandre de Moraes não alteraram sua escolha eleitoral. O dado sugere que a crise institucional não necessariamente se converte, de forma automática, em mudança na intenção de voto.
Outro fator coloca o Supremo diretamente no horizonte da eleição presidencial. O presidente eleito em 2026 poderá indicar novos integrantes da Corte durante seu mandato.
Levantamento publicado pela Folha aponta que pelo menos quatro das 11 cadeiras do STF deverão passar por mudança até o fim do próximo mandato presidencial, considerando uma vaga já aberta e aposentadorias compulsórias previstas para os próximos anos.
Isso significa que a escolha para a Presidência da República também terá consequências sobre a composição futura do tribunal, já que os ministros do STF são indicados pelo presidente e precisam ser aprovados pelo Senado.
A Corte no debate eleitoral
A relação entre STF, governo e oposição também entrou no discurso dos candidatos. Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro ampliou as críticas ao Supremo e associou o debate sobre a Corte à sua campanha. Do outro lado, o governo Lula passou a adotar uma comunicação que procura marcar distância de ministros do tribunal em meio à crise.
Ao mesmo tempo, análises publicadas durante o período eleitoral apontam que decisões do STF e de seus ministros podem repercutir sobre temas de interesse direto das campanhas, incluindo investigações, emendas parlamentares e processos relacionados a figuras políticas.
O resultado é um cenário no qual o Supremo aparece simultaneamente como instituição jurídica, ator relevante nas disputas institucionais entre os Poderes e tema de campanha.
À medida que a campanha avança, a questão será observar até que ponto o debate sobre o Supremo permanecerá restrito ao ambiente político e institucional ou se terá influência efetiva sobre as escolhas do eleitor nas urnas.
Por enquanto, os dados disponíveis indicam que o STF já é um dos elementos centrais do debate eleitoral de 2026, mas não permitem concluir, antecipadamente, qual será a dimensão de seu efeito sobre o voto.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.