Publicado por: Amanda Escorsin | 24 ago 2026
Com a maior coligação da disputa pelo GDF, governadora reúne diferentes forças partidárias e amplia capilaridade entre lideranças, movimentos de mulheres, empreendedorismo e uma base de confiança que também passa pela família
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), aparece na liderança da disputa pelo Palácio do Buriti com 33,9% das intenções de voto, segundo pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisas (Igape) divulgada neste domingo (23). José Roberto Arruda (PSD) aparece em segundo lugar, com 24,1%, uma diferença de 9,8 pontos percentuais.
Leandro Grass (PT) ocupa a terceira posição, com 10,3%. Na sequência aparecem Paula Belmonte (PSDB), com 4,6%; Ricardo Cappelli (PSB), com 3,7%; Kiko Caputo (Novo), com 2,5%; Professor Robson (PSTU), com 1,6%; Elisson Ferreira (Agir), com 1,4%; Samara Mineiro (UP), com 0,9%; e Expedito Mendonça (PCO), com 0,5%. Outros 16,5% não souberam ou não opinaram.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 18 e 22 de agosto, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O resultado chega em um momento estratégico da corrida eleitoral e ajuda a dimensionar não apenas o desempenho da governadora nas pesquisas, mas também a estrutura política e social que Celina conseguiu reunir para a disputa de 2026.
11 partidos no mesmo projeto
Celina chega à reta final de agosto sustentada pela maior coligação partidária formada nesta eleição para o Governo do Distrito Federal.
Além do Progressistas, partido da governadora, integram a aliança Republicanos, MDB, Podemos, PL, DC, Mobiliza, Democrata, PRD, Solidariedade e União Brasil. Consideradas individualmente as legendas que compõem as federações partidárias, são 11 siglas em torno da candidatura.
Em 2014, Agnelo Queiroz chegou a disputar a reeleição apoiado por 17 legendas. Mais de 10 anos após, o número alcançado por Celina é expressivo no cenário de 2026 e revela o resultado de uma articulação que envolveu negociações e rearranjos entre algumas das principais forças políticas da capital.
Um dos movimentos relevantes ocorreu com o MDB. Mesmo após divergências políticas e mudanças ocorridas nos bastidores, a legenda decidiu não lançar candidatura própria ao GDF e formalizou apoio à reeleição da governadora.
A composição coloca sob um mesmo projeto partidos de diferentes tamanhos e amplia a estrutura eleitoral disponível justamente no momento em que candidatos proporcionais, dirigentes e lideranças regionais passam a percorrer as cidades em busca de votos.
Dos partidos à capilaridade
Na prática, uma coligação desse tamanho representa mais do que a soma de siglas. Cada partido carrega consigo candidatos a deputado federal e distrital, dirigentes, lideranças comunitárias e bases espalhadas pelas regiões administrativas.
É o que politicamente se traduz em capilaridade: a capacidade de uma candidatura alcançar diferentes cidades, segmentos e grupos sociais por meio de redes já estabelecidas.
A própria trajetória de Celina contribui para essa construção. A governadora iniciou parte importante de sua vida política próxima ao grupo do ex-governador Joaquim Roriz e é apontada, nos bastidores, como uma das herdeiras de sua escola política, marcada pela presença nas cidades e pelo relacionamento direto com lideranças locais.
Mesmo anos após a morte de Roriz, seu legado ainda mantém influência entre grupos políticos e parcelas do eleitorado do Distrito Federal. Para Celina, essa relação histórica permite interlocução com antigas bases ao mesmo tempo em que se soma às novas alianças construídas para 2026.
Mulheres, empreendedorismo e PP Mulher ampliam a rede
Fora dos diretórios partidários, outro segmento que ganhou espaço na trajetória recente de Celina é formado por mulheres, empresárias, empreendedoras e lideranças femininas.
São grupos que nem sempre possuem vínculo formal com partidos, mas mantêm diálogo com a governadora e encontram convergência em políticas e projetos relacionados à geração de renda, autonomia econômica e fortalecimento do empreendedorismo feminino.
Essa aproximação encontra respaldo também em ações do governo. Em abril deste ano, Celina sancionou a legislação que instituiu o Programa de Apoio à Mulher Empreendedora do Distrito Federal, destinado ao desenvolvimento e fortalecimento de pequenos negócios liderados por mulheres.
A iniciativa prevê medidas relacionadas à capacitação, acesso a crédito, suporte técnico e criação de redes de relacionamento para mulheres que empreendem no Distrito Federal.
Dentro do próprio Progressistas, o PP Mulher também integra essa estrutura de mobilização, aproximando lideranças femininas e contribuindo para ampliar a presença da legenda entre mulheres de diferentes segmentos e regiões do DF.
Esse tipo de apoio não pode ser contabilizado da mesma maneira que uma coligação partidária e tampouco significa automaticamente voto. Possui, entretanto, relevância eleitoral pela capacidade de multiplicação: lideranças empresariais, comunitárias e de movimentos organizados carregam suas próprias redes de relacionamento e influência.
Uma base que também passa pela família
Outra camada dessa estrutura está no núcleo mais próximo da governadora.
Maria Célia, mãe de Celina, tem participado de agendas e mobilizações, especialmente entre mulheres e em atividades relacionadas à estrutura feminina do Progressistas. A irmã da governadora, Ludmila, e o esposo também acompanham de perto a rotina política, participando de agendas, projetos e ações.
A presença familiar evidentemente não possui o mesmo peso institucional de um partido. Em uma campanha, porém, o núcleo de confiança pode exercer função complementar, ajudando a representar o candidato em determinados espaços, fortalecer relações de proximidade e manter ativa uma rede construída ao longo dos anos.
No caso de Celina, é possível identificar diferentes níveis de sustentação política. No núcleo formal estão os 11 partidos. Ao redor deles aparecem candidatos proporcionais, dirigentes, lideranças políticas e bases regionais. Fora das estruturas partidárias, movimentos de mulheres, empresárias, empreendedoras e outros segmentos ampliam o alcance social. Mais próximo à governadora, familiares também participam dessa mobilização.
Pesquisas apresentam retratos diferentes da disputa
Apesar da vantagem de 9,8 pontos registrada pelo Igape, os demais levantamentos divulgados em agosto mostram que a eleição pelo Governo do Distrito Federal permanece competitiva.
Dois dias antes, pesquisa Datafolha apresentou um cenário mais apertado. Celina apareceu com 30% das intenções de voto, contra 28% de José Roberto Arruda, configurando empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Na pesquisa espontânea do Datafolha, entretanto, Celina apresentou vantagem maior: 21% contra 12% de Arruda.
Outro levantamento, do Real Time Big Data, divulgado em 19 de agosto, também colocou Celina na liderança da corrida pelo Palácio do Buriti e à frente nos cenários de segundo turno testados.
As diferenças entre os levantamentos reforçam que pesquisas eleitorais representam fotografias de momentos específicos, produzidas a partir de metodologias e amostras próprias, e não permitem considerar a eleição definida.
Ao mesmo tempo, agosto permitiu dimensionar com maior clareza a estrutura que Celina levará para a campanha.
Os 33,9% registrados pelo Igape são o dado mais recente. Os 11 partidos representam a parte formal e mais objetiva de sua estrutura. A eles se somam lideranças políticas e regionais, bases históricas, uma trajetória ligada ao rorizismo, movimentos de mulheres e empreendedorismo, a atuação do PP Mulher e um núcleo familiar presente.
A partir de agora, o desafio será transformar estrutura partidária e capilaridade social em mobilização e, posteriormente, em votos. É essa conversão, muito mais do que o tamanho da coligação isoladamente, que deverá mostrar nas urnas o peso real da rede construída por Celina para 2026.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.