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Entre o conservadorismo e a agenda social: como Celina Leão une o legado de Roriz às influências de Iris Rezende, Ulysses Guimarães e Waldir Pires

Publicado por: Amanda Escorsin | 11 jul 2026

Por Amanda Escorsin

Governadora alia discurso de responsabilidade fiscal à defesa de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável, aproximando seu estilo de gestão do modelo popular que marcou Joaquim Roriz no Distrito Federal

A política do Distrito Federal sempre foi marcada por diferentes correntes ideológicas. Enquanto parte da direita costuma ser associada à defesa do empreendedorismo, da redução do tamanho do Estado e da responsabilidade fiscal, alguns de seus principais líderes também construíram carreiras investindo fortemente em políticas sociais. Foi esse o modelo que consolidou o ex-governador Joaquim Roriz como uma das figuras mais populares da história política da capital.

Décadas depois, a governadora Celina Leão (PP) apresenta características que dialogam com esse legado. Embora mantenha uma identidade conservadora e alinhada à centro-direita, sua atuação tem sido marcada pela combinação entre desenvolvimento econômico, equilíbrio fiscal e investimento em áreas sociais, especialmente saúde, assistência social, proteção às mulheres e fortalecimento das famílias.

Conservadorismo aliado à proteção social

Celina Leão construiu sua trajetória política defendendo pautas ligadas à liberdade econômica, ao fortalecimento da segurança pública e ao apoio ao setor produtivo. Ao assumir o Governo do Distrito Federal, manteve esse posicionamento, mas também ampliou o foco em políticas públicas voltadas à população em situação de vulnerabilidade.

Essa combinação rompe, em certa medida, com a percepção de que governos conservadores priorizam exclusivamente o desenvolvimento econômico. Na atual gestão, programas sociais, investimentos em saúde, assistência e proteção às famílias caminham paralelamente ao discurso de responsabilidade fiscal.

A influência do estilo de Joaquim Roriz

Joaquim Roriz ficou conhecido por manter uma relação próxima com a população, principalmente com os moradores das regiões administrativas. Sua trajetória foi marcada pela expansão de programas habitacionais, ações voltadas às famílias de baixa renda e forte presença nas comunidades.

Celina Leão já declarou publicamente seu respeito pela trajetória política de Roriz e reconheceu sua importância para a história do Distrito Federal. Em diferentes entrevistas, destacou o legado deixado pelo ex-governador na aproximação entre governo e população.

Embora pertençam a contextos históricos diferentes, ambos compartilham uma característica semelhante: a compreensão de que uma gestão de perfil conservador também pode priorizar políticas sociais.

A relação entre Celina e Joaquim Roriz não se limita à admiração pública. A atual chefe do Executivo brasiliense iniciou sua trajetória política no grupo liderado pelo ex-governador, considerado um de seus principais padrinhos políticos. Embora tenha desenvolvido uma identidade própria ao longo dos anos, sua atuação ainda guarda características que remetem ao modelo de gestão de Roriz, especialmente na valorização das políticas sociais aliadas a um posicionamento conservador.

Além disso, também foi influenciada por outras lideranças que marcaram a história política brasileira. Em diferentes ocasiões, a governadora já mencionou a admiração que desenvolveu, ainda jovem, por nomes como Ulysses Guimarães, Waldir Pires e Iris Rezende. Embora representassem diferentes correntes políticas, essas lideranças contribuíram para sua visão sobre gestão pública, diálogo institucional e compromisso com a população.

Outro nome frequentemente reconhecido por Celina é o de sua mãe, Maria Célia Leão. Com forte atuação nas áreas social e comunitária ao longo de sua trajetória, ela é apontada pela governadora como uma referência de sensibilidade humana, acolhimento e compromisso com as pessoas, valores que também influenciaram sua forma de fazer política.

Saúde pública: uma missão que nasceu da experiência pessoal

A saúde ocupa um espaço central na trajetória política de Celina Leão por um motivo que vai além da atuação administrativa. A governadora perdeu sua irmã mais velha, Luciane, vítima de lúpus. Segundo a própria Celina, essa experiência transformou sua forma de enxergar as políticas públicas de saúde e fortaleceu seu compromisso com pacientes e famílias que convivem com doenças raras.

Desde então, ela passou a defender o diagnóstico precoce, a ampliação do acesso aos tratamentos e o fortalecimento da triagem neonatal por meio da expansão do Teste do Pezinho. Em diversas declarações públicas, afirmou que essa deixou de ser apenas uma pauta administrativa para se tornar uma missão de vida.

A defesa da saúde pública também aparece como uma das prioridades de sua gestão. Em entrevistas recentes, Celina destacou que a redução das filas por cirurgias, a melhoria da estrutura hospitalar e o fortalecimento da rede pública estão entre os principais compromissos do governo.

Atuação no Congresso fortaleceu a pauta das mulheres

Antes de assumir o Governo do Distrito Federal, Celina Leão coordenou a Bancada Feminina da Câmara dos Deputados durante a legislatura de 2019 a 2022.

De acordo com balanço oficial divulgado pela Câmara dos Deputados ao encerramento da legislatura, em 2022, a Bancada Feminina articulou a aprovação de mais de 200 projetos, dos quais 78 foram transformados em leis, além da promulgação de uma lei complementar e cinco emendas constitucionais.

Entre os principais avanços estão a atualização da Lei da Laqueadura, que retirou a exigência de autorização do cônjuge para a esterilização voluntária; a criação da Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher; e a Lei nº 14.188/2021, que instituiu o programa do “X” vermelho na palma da mão como forma silenciosa de denúncia de violência doméstica e tipificou o crime de violência psicológica contra a mulher.

Os números representam um dos períodos mais produtivos da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados e reforçam a atuação de Celina Leão na articulação de pautas voltadas à proteção das mulheres e das famílias.

Um perfil que dialoga com diferentes segmentos

A combinação entre responsabilidade fiscal, incentivo ao empreendedorismo e fortalecimento das políticas sociais tem ampliado o alcance político da governadora junto a diferentes públicos.

Ao preservar uma identidade conservadora sem abrir mão de uma agenda social, a chefe do Executivo do Distrito Federal consolida um perfil que, em diversos aspectos, remete ao modelo político de Joaquim Roriz: uma liderança de centro-direita que buscava conciliar desenvolvimento econômico com forte presença nas políticas públicas voltadas à população.

Mais do que uma comparação entre governos, a trajetória da atual governadora evidencia que, no Distrito Federal, o conservadorismo pode caminhar ao lado da proteção social. A experiência pessoal com a perda da irmã para o lúpus, a defesa das pessoas com doenças raras, a atuação à frente da Bancada Feminina e as prioridades estabelecidas para a saúde pública ajudam a explicar por que Celina Leão vem sendo identificada como uma liderança que procura unir responsabilidade fiscal e sensibilidade social, uma característica que também marcou a história política de Joaquim Roriz.

Da Redação | Portal Dama do Poder

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Amanda Escorsin

Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.