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‘Falso Cristão’: Especialistas alertam para o risco da dissociação entre imagem pública e comportamento privado

Publicado por: Amanda Escorsin | 10 jul 2026

O caso do missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, preso após confessar as agressões que levaram à morte do filho de 3 anos, reacendeu o debate sobre pessoas que constroem uma imagem pública de religiosidade enquanto, na vida privada, apresentam comportamentos incompatíveis com os valores que dizem defender.

Embora a expressão “falso cristão” seja utilizada em contextos religiosos, psicólogos afirmam que a ciência não classifica indivíduos dessa forma. O que pode ser analisado são comportamentos relacionados à dissociação entre identidade pública e conduta privada, à necessidade de aprovação social e, em alguns casos, a traços de personalidade que favorecem manipulação e controle.

Segundo especialistas, é possível que uma pessoa utilize uma identidade social, seja religiosa, profissional ou política para conquistar confiança, respeito ou autoridade. Isso, por si só, não significa que todos os líderes religiosos ajam dessa maneira, mas demonstra que títulos e posições não são garantia de caráter.

A psicóloga social Bella DePaulo, pesquisadora do comportamento humano e autora de estudos sobre autenticidade e engano interpessoal, defende que as pessoas tendem a construir imagens socialmente desejáveis, especialmente em ambientes onde reputação e credibilidade são altamente valorizadas.

Na mesma linha, o psicólogo Carl Rogers já afirmava que existe uma diferença entre o “self real” e o “self idealizado”. Quanto maior a distância entre quem a pessoa realmente é e a imagem que tenta transmitir ao mundo, maior tende a ser a incongruência psicológica.

Para o psicólogo organizacional Tomas Chamorro-Premuzic, autor de pesquisas sobre liderança e personalidade, indivíduos podem desenvolver grande habilidade para causar boa impressão, sem que isso reflita necessariamente seu caráter ou seus valores. Segundo ele, carisma e boa comunicação não devem ser confundidos com integridade.

Especialistas ressaltam que crimes de violência doméstica e contra crianças possuem múltiplos fatores e não podem ser explicados apenas pela religiosidade ou pela ausência dela. Também alertam para o risco de generalizações, já que a imensa maioria das pessoas religiosas não pratica esse tipo de violência.

No contexto cristão, líderes religiosos frequentemente citam o ensinamento de Jesus em Mateus 7:16: “Pelos seus frutos os conhecereis”, enfatizando que a coerência entre discurso e comportamento é um dos principais critérios para avaliar uma vida de fé.

Da Redação | Portal Dama do Poder

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Amanda Escorsin

Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.