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Da mãe que não tem com quem deixar o filho à mulher que precisa empreender: apoiada por Michelle Bolsonaro, Maria Yvelônia defende políticas que enxerguem a vida real

Publicado por: Amanda Escorsin | 14 ago 2026

Por Amanda Escorsin

Ex-secretária nacional de Assistência Social e candidata a deputada federal por Goiás, Maria Yvelônia fala sobre empreendedorismo feminino, mães solo e atípicas, autonomia financeira, violência contra a mulher e os desafios de quem precisa conciliar renda, filhos e cuidado

Por trás de uma mulher que decide empreender, muitas vezes existe uma realidade que vai muito além da vontade de ter o próprio negócio. Há a mãe que não tem com quem deixar o filho, a mulher que precisa complementar a renda da casa, aquela que fez cursos e se capacitou, mas não tem dinheiro para comprar os primeiros equipamentos, e tantas outras que dividem o mesmo dia entre trabalho, maternidade e cuidado.

É para essas realidades que Maria Yvelônia, candidata a deputada federal por Goiás, afirma querer olhar ao defender políticas públicas voltadas às mulheres. Em entrevista ao programa Ping Pong, do Portal Lupa Política transmitido na Rádio Federal, com participação do Portal e Rede Dama do Poder, Yvelônia falou sobre empreendedorismo feminino, assistência social, saúde, violência contra a mulher, geração de emprego e os desafios enfrentados diariamente pela população do Entorno do Distrito Federal.

Antes da política eleitoral, uma trajetória dentro das políticas sociais

Assistente social formada pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciências Sociais, Maria Yvelônia construiu parte significativa de sua trajetória profissional dentro da assistência social e da administração pública. Ela foi secretária nacional de Assistência Social do Ministério da Cidadania, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, além de ter ocupado a vice-presidência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Antes de chegar ao comando da Secretaria Nacional, passou por funções técnicas relacionadas à Proteção Social Especial e às medidas socioeducativas. Também atuou no CREAS e na gestão de medidas socioeducativas em meio aberto em Valparaíso de Goiás.

Posteriormente, em Goiânia, ocupou cargos no primeiro escalão municipal, incluindo as áreas de Relações Institucionais e Desenvolvimento Humano e Social. É a partir dessa experiência que a candidata passou pelo atendimento na ponta e chegou à gestão de políticas públicas, uma das principais credenciais de sua candidatura.

Quando capacitar uma mulher não é suficiente

Um dos assuntos que ganharam destaque na entrevista foi o empreendedorismo feminino. Nos últimos anos, Yvelônia também se aproximou de movimentos e ambientes formados por mulheres empreendedoras, ampliando o contato com histórias de mães solo, mães atípicas e mulheres que encontraram no próprio negócio uma alternativa para conquistar renda e autonomia. Para ela, oferecer cursos é importante, mas é preciso olhar para o passo seguinte.

Uma mulher pode aprender confeitaria, estética, costura ou qualquer outra atividade profissional. Mas, sem recursos para comprar equipamentos, materiais e insumos, o conhecimento adquirido nem sempre consegue se transformar em renda.

Maria Yvelônia, Ex-secretária nacional de Assistência Social e candidata a deputada federal por Goiás

Por isso, entre os caminhos defendidos pela candidata está a ampliação do acesso ao crédito e a criação de condições para que mulheres consigam efetivamente começar ou fortalecer seus negócios.

A discussão se torna ainda mais sensível quando envolve mães que não conseguem simplesmente cumprir uma jornada tradicional de trabalho porque precisam cuidar dos filhos. É uma realidade vivenciada especialmente por mães solo e também por mães atípicas, que frequentemente precisam reorganizar toda a vida profissional em torno das necessidades dos filhos.

Empreender também pode significar autonomia

Durante a entrevista, empreendedorismo e assistência social apareceram como temas que podem caminhar juntos. A experiência de Yvelônia na área social influencia sua defesa de que a proteção oferecida pelo Estado nos momentos de vulnerabilidade seja acompanhada por caminhos que possibilitem autonomia.

Isso passa por qualificação profissional, geração de renda, acesso ao crédito e oportunidades. Para muitas mulheres, ter o próprio dinheiro significa mais do que crescimento profissional, segundo a candidata. Ainda, pode representar independência, segurança para cuidar dos filhos e, em determinadas situações, até a possibilidade de romper ciclos de dependência e violência.

Violência contra a mulher: as marcas que ninguém vê

Outro tema abordado foi o enfrentamento à violência contra a mulher.Yvelônia defendeu o fortalecimento da estrutura de atendimento às vítimas, incluindo delegacias especializadas, horários adequados e equipes multidisciplinares formadas também por profissionais como psicólogos e assistentes sociais.

Na avaliação apresentada pela candidata, o atendimento não pode terminar no registro da ocorrência. Existem consequências que permanecem depois da agressão e que nem sempre podem ser percebidas externamente. Por isso, a mesma defende que acolhimento e acompanhamento façam parte da estrutura oferecida à mulher que procura ajuda.

Saúde precisa chegar mais perto das mulheres

A saúde feminina também entrou no debate. Entre as propostas apresentadas por Maria Yvelônia está a utilização de unidades itinerantes, capazes de aproximar serviços de prevenção e diagnóstico das comunidades.

A lógica é simples: em vez de exigir que todas as mulheres consigam chegar aos grandes centros de atendimento, determinados serviços também podem chegar até onde elas estão.

A medida pode beneficiar principalmente mulheres que trabalham, cuidam dos filhos, dependem de transporte público ou enfrentam outras dificuldades para passar horas em deslocamentos e filas.

Entorno: não basta transportar trabalhadores para Brasília

Moradora da região e candidata à Prefeitura de Valparaíso de Goiás nas eleições de 2024, Maria também colocou o Entorno do Distrito Federal entre as prioridades de sua candidatura à Câmara. Mobilidade, saúde, qualificação profissional e geração de empregos estão entre os desafios apontados.

Na área de transporte, Yvelônia citou alternativas como a ampliação do BRT em direção a Luziânia e o aproveitamento da estrutura ferroviária para o transporte de passageiros e fez uma ponderação importante: melhorar o caminho até Brasília não resolve sozinho o problema.

“Precisamos investir em empregos dentro do Entorno para que essas famílias não tenham tanta necessidade de ir para o Distrito Federal”, afirmou.

A proposta defendida é fortalecer economicamente municípios como Valparaíso e outras cidades da região para que seus moradores também encontrem oportunidades perto de casa.

Para as mulheres, essa discussão novamente encontra a questão do cuidado: quanto maior o tempo gasto diariamente no deslocamento entre casa e trabalho, menor o tempo disponível para os filhos, para a família, para os estudos e até para o próprio negócio.

Da assistência social à Câmara dos Deputados

Maria Yvelônia chega às eleições de 2026 depois de disputar a Prefeitura de Valparaíso de Goiás em 2024, quando recebeu mais de 8 mil votos. Em agosto, teve sua candidatura a deputada federal homologada pelo PL durante a convenção estadual da legenda em Goiânia.

Sua trajetória reúne passagens pela gestão municipal e federal, pelo Conselho Nacional de Assistência Social e por funções técnicas diretamente relacionadas ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade.

Agora, tenta transformar essa experiência em uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Durante a entrevista ao Ping Pong, também falou sobre sua trajetória política, sua relação com Michelle Bolsonaro, o cenário de Valparaíso de Goiás e os projetos que pretende defender caso seja eleita.

Mas foi ao falar sobre experiência que deixou a frase que talvez melhor sintetize a imagem que pretende apresentar ao eleitorado: ‘Mais do que falar, eu sei fazer.

Para Yvelônia, a disputa de 2026 será também a oportunidade de mostrar que políticas públicas voltadas às mulheres precisam partir de algo que ela afirma ter conhecido de perto ao longo de sua trajetória: a vida real de quem trabalha, empreende, cria filhos, cuida da família e ainda precisa encontrar espaço para cuidar de si mesma.

A entrevista foi realizada no programa Ping Pong, da Rádio Federal, apresentado pelo jornalista Fred Lima, com participação da jornalista Amanda Escorsin, fundadora do Portal e Rede Dama do Poder.

Para acompanhar o trabalho, os projetos e a trajetória de Maria Yvelônia:

Instagram: @mariayvelonia

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Da Redação | Portal Dama do Poder

Amanda Escorsin

Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.