Arte: Portal Dama do Poder | Fotos: Divulgação
Publicado por: Amanda Escorsin | 10 jul 2026
A partir dos debates promovidos no III Congresso da Rede Damas do Poder, o quadro Pauta & Poder analisa os impactos da liderança feminina na política do Distrito Federal. O evento reuniu cerca de 300 mulheres, lideranças, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir empreendedorismo, representatividade e políticas públicas
PAUTA & PODER | Análise
Um quadro especial do Portal e Rede Dama do Poder
Apresentado pela jornalista Amanda Escorsin, fundadora e editora-chefe do Portal e Rede Damas do Poder, este quadro é dedicado à análise dos principais temas que impactam a política, o empreendedorismo, a economia e a participação feminina nos espaços de decisão. As análises são fundamentadas em dados públicos, pesquisas, políticas públicas e contexto institucional, com o objetivo de ampliar o debate sobre assuntos de interesse da sociedade.
Durante muitos anos, a participação feminina nos espaços de poder foi exceção na política brasileira. Nos últimos anos, porém, o crescimento da presença de mulheres em cargos estratégicos tem provocado uma discussão que vai além da representatividade: a experiência de vida de uma mulher pode influenciar a forma de governar?
Embora não exista consenso de que homens e mulheres governem de maneiras necessariamente diferentes, estudos sobre liderança apontam que mulheres frequentemente adotam estilos de gestão mais colaborativos, com maior ênfase no diálogo, na construção coletiva e na mediação de conflitos. Essas características têm sido associadas a ambientes mais participativos e ao fortalecimento de políticas sociais.
No Distrito Federal, o debate sobre liderança feminina ganha novos contornos diante do cenário eleitoral para o Governo do Distrito Federal. Levantamento do instituto Exata OP, divulgado em julho de 2026, aponta a governadora Celina Leão (PP) na liderança da pesquisa espontânea, com 16,8% das intenções de voto. Na sequência aparecem Leandro Grass (PT), com 8,4%; José Roberto Arruda (PSD), com 5,6%; Ricardo Cappelli (PSB), com 2,5%; e Kiko Caputo (Novo), com 1,2%.
Antes de assumir o Governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP) construiu uma trajetória em diferentes funções públicas. Foi deputada distrital por quatro mandatos, presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal — sendo a primeira mulher a ocupar o cargo —, deputada federal, coordenadora da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados, secretária de Esporte e Lazer do Distrito Federal e, posteriormente, vice-governadora. Em 2023, assumiu o Governo do Distrito Federal em exercício durante afastamentos do então governador Ibaneis Rocha e, posteriormente, tornou-se governadora em exercício em outras ocasiões previstas na função de vice-governadora. Essa experiência reúne passagens tanto pelo Poder Legislativo quanto pelo Executivo.
Assim como Joaquim Roriz ficou conhecido por associar sua imagem à construção de programas e obras que marcaram sua trajetória política no Distrito Federal, Celina Leão passou a consolidar sua carreira por meio da atuação em diferentes esferas do poder público, especialmente em pautas ligadas à participação feminina, políticas sociais e articulação institucional.
Um dos temas que mais aparecem na agenda das mulheres brasileiras é a autonomia financeira. Segundo dados do Sebrae, mais de 116 mil mulheres estão à frente de negócios no Distrito Federal, demonstrando a importância do empreendedorismo feminino para a economia local e para a geração de renda das famílias.
Nesse contexto, políticas públicas voltadas ao crédito, à qualificação profissional e ao fortalecimento dos pequenos negócios deixam de ser apenas iniciativas econômicas e passam a integrar estratégias de inclusão social.
Essa visão também foi reforçada durante entrevista concedida ao vivo ao III Congresso da Rede Damas do Poder pela secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, Giselle Ferreira, que anteriormente esteve à frente da Secretaria da Mulher. Na ocasião, a secretária destacou a importância de construir políticas públicas capazes de conciliar proteção social e autonomia econômica, incentivando que mulheres tenham acesso a oportunidades de geração de renda e empreendedorismo, sem que a assistência social seja vista como um obstáculo ao desenvolvimento pessoal e profissional.
Essa perspectiva dialoga com um debate crescente na gestão pública: o de que programas sociais e políticas de incentivo ao empreendedorismo não precisam ser excludentes, mas podem caminhar de forma complementar para ampliar a independência econômica das mulheres.







A presença de uma mulher no principal cargo do Executivo produz outro efeito frequentemente discutido por pesquisadores e movimentos de liderança feminina: o da representatividade.
Quando meninas e jovens passam a enxergar mulheres ocupando espaços historicamente masculinos, amplia-se o repertório de possibilidades para futuras lideranças. A discussão deixa de ser apenas eleitoral e passa a envolver participação política, empreendedorismo, gestão pública e ocupação de espaços de decisão.
Essa percepção tem impulsionado iniciativas voltadas ao incentivo da participação feminina na política, nos negócios e em posições estratégicas da administração pública.
Em períodos eleitorais, é comum que propostas semelhantes apareçam em diferentes campanhas e governos. Na administração pública, entretanto, uma reflexão permanece atual: quando uma política gera benefícios concretos para a população, o debate sobre sua autoria tende a perder espaço para a discussão sobre sua implementação e seus resultados.
Boas políticas públicas costumam ser aperfeiçoadas, ampliadas ou adaptadas ao longo do tempo por diferentes gestões. Mais do que identificar quem apresentou determinada ideia primeiro, a sociedade costuma ser diretamente impactada pela capacidade de transformá-la em ações efetivas.
Independentemente das preferências partidárias do eleitor, a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão permanece como um dos temas centrais da democracia contemporânea.
Mais mulheres na política significam mais experiências diferentes participando da construção das políticas públicas, ampliando o debate sobre empreendedorismo, autonomia financeira, qualificação profissional, proteção social, combate à violência e geração de oportunidades.
Nesse cenário, a discussão não se limita a quem ocupa uma cadeira no governo. Ela envolve a possibilidade de inspirar novas lideranças, fortalecer políticas voltadas às mulheres e ampliar a participação feminina na construção das decisões que impactam toda a sociedade.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.