Publicado por: Amanda Escorsin | 16 out 2026
Disputa entre dois dos maiores veículos de comunicação do país expõe contratos publicitários de R$ 20 milhões, suspeitas de interferência em reportagens e questionamentos sobre a independência editorial
Imagem gerada por I.A
Uma verdadeira guerra de acusações tomou conta dos bastidores do jornalismo brasileiro nesta sexta-feira (16). De um lado, o portal Metrópoles; do outro, a Folha de S.Paulo. No centro da disputa está o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e sua relação financeira e institucional com os dois veículos de comunicação.
A polêmica ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro, que indicariam sua participação na revisão de conteúdos jornalísticos do Metrópoles. Segundo reportagem divulgada pelo UOL e reproduzida pela Folha, o empresário teria recebido antecipadamente pelo menos 14 matérias, das quais 11 passaram por alterações. O portal brasiliense também teria recebido R$ 20 milhões em contratos publicitários ligados ao Banco Master. A direção do Metrópoles nega que os pagamentos tenham comprometido sua independência editorial.
Metrópoles reage e expõe relação da Folha com Vorcaro
A reação não demorou. O Metrópoles publicou uma reportagem afirmando que Vorcaro teria oferecido R$ 1 milhão ao assessor Guilherme Barros para conseguir adiar ou amenizar uma matéria da Folha sobre o banqueiro, em agosto de 2024.
O portal também revelou que Vorcaro participou de uma reunião na sede da Folha com o diretor de redação Sérgio Dávila. O encontro não foi divulgado aos leitores na coluna Painel, como costuma ocorrer com visitas institucionais ao jornal.
Outro ponto levantado foi o recebimento de R$ 516.441,60 em publicidade de empresas ligadas a Vorcaro, ao longo de cinco anos. O Metrópoles utilizou a informação para questionar a relação comercial entre o jornal paulista e o empresário.
Folha acusa concorrente de retaliação
A Folha reagiu duramente e classificou a reportagem do Metrópoles como uma retaliação às denúncias publicadas anteriormente.
O jornal negou que tenha adiado ou suavizado a matéria para atender aos interesses de Vorcaro. Segundo sua versão, a publicação ainda estava em produção, e o prazo concedido serviu para ouvir o empresário, procedimento comum na atividade jornalística.
A Folha também confirmou os valores recebidos em publicidade, mas destacou que a quantia corresponde a aproximadamente 2,58% dos R$ 20 milhões associados aos contratos do Metrópoles.
O diretor Sérgio Dávila negou ter conhecimento, na época, da promessa de pagamento de R$ 1 milhão feita por Vorcaro ao assessor.
Quando a notícia vira notícia: quem fiscaliza a imprensa?
A troca de acusações ultrapassa uma simples rivalidade entre veículos. O episódio levanta questionamentos sobre os limites entre publicidade, relacionamento com fontes e independência jornalística.
Receber recursos publicitários de empresas privadas não constitui, por si só, irregularidade. Entretanto, a possibilidade de anunciantes interferirem na escolha, edição ou publicação de reportagens representa uma questão central para a credibilidade da imprensa.
Até o momento, as acusações de interferência editorial são contestadas pelos envolvidos, e as informações divulgadas não permitem concluir que os jornalistas tenham recebido pagamentos pessoais para modificar notícias.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.