Publicado por: Amanda Escorsin | 5 out 2026
Ex-primeira-dama estreia nas urnas como a mais votada para o Senado no Distrito Federal; Bia Kicis conquista a segunda cadeira e Leila Barros não consegue a reeleição
A estratégia de dobradinha do PL funcionou nas urnas do Distrito Federal. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis conquistaram as duas vagas em disputa para o Senado, deixando a atual senadora Leila Barros (PDT) em terceiro lugar e fora da próxima legislatura.
Michelle terminou a eleição como a candidata mais votada, com 938.496 votos, equivalentes a 29,05% dos votos válidos. Bia veio logo atrás e garantiu a segunda cadeira com 886.616 votos (27,44%). Leila, que tentava renovar por mais oito anos o mandato conquistado em 2018, recebeu 686.340 votos (21,25%).
Michelle estreia vencendo e Bia cresce na reta final
A eleição marcou a estreia de Michelle Bolsonaro em uma disputa por cargo eletivo. Além de garantir uma cadeira no Senado, a ex-primeira-dama terminou na primeira colocação e estabeleceu, ao lado de Bia, um novo patamar de votação para o cargo no Distrito Federal desde a redemocratização.
Mas um dos movimentos mais interessantes da campanha aconteceu justamente na disputa pela segunda vaga.
Michelle e Bia intensificaram uma dobradinha eleitoral, apresentando ao eleitor do PL dois nomes para os dois votos disponíveis ao Senado. Politicamente, o movimento permitiu que a força da candidatura de Michelle também desse visibilidade à candidatura de Bia.
É nesse sentido que Michelle pode ser vista como alguém que “puxou” Bia na reta final, não porque exista transferência automática de votos no sistema eleitoral para senador, mas porque as duas construíram uma campanha conjunta direcionada ao mesmo eleitorado.
Os levantamentos da reta final ajudam a mostrar essa movimentação. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 29 de setembro mostrava Michelle com 27%, enquanto Leila e Bia apareciam empatadas com 18%. Já o Datafolha divulgado na véspera da eleição apontava Michelle com 30%, Bia com 24% e Leila com 21% dos votos válidos.
Nas urnas, Bia confirmou a ultrapassagem: terminou com 27,44%, abrindo vantagem sobre Leila e garantindo a segunda cadeira.
Leila fica fora do jogo
O resultado interrompe a permanência de Leila Barros no Senado. Eleita em 2018 com 467.787 votos, a ex-jogadora de vôlei assumiu o mandato em 2019 e tentou a reeleição em 2026, mas não conseguiu superar a dobradinha do PL.
Leila termina em terceiro lugar justamente em uma eleição na qual as quatro primeiras posições foram ocupadas por mulheres: Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Leila Barros e Erika Kokay.
DF terá bancada 100% feminina no Senado
A vitória de Michelle e Bia ainda produz um resultado inédito na política brasileira.
A partir de 2027, as duas eleitas se juntarão a Damares Alves (Republicanos), que permanece no Senado até 2031. Com isso, o Distrito Federal será a primeira unidade da Federação a ter simultaneamente suas três cadeiras no Senado ocupadas por mulheres.
O resultado redesenha a representação do Distrito Federal em Brasília. Michelle estreia na política eleitoral na primeira colocação, Bia deixa a Câmara dos Deputados para assumir o Senado e Leila encerra seu mandato após não conseguir a reeleição.
Mais do que duas vitórias individuais, as urnas mostraram a eficiência eleitoral da estratégia adotada pelo PL: Michelle liderou, Bia cresceu e a dobradinha ficou com as duas cadeiras que estavam em disputa no Distrito Federal.
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.