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Racha, insatisfação e votos divididos: os bastidores que deixaram Valparaíso sem deputado estadual e federal

Publicado por: Amanda Escorsin | 5 out 2026

Cidade que chegou a concentrar uma deputada federal, uma deputada estadual e um secretário de Estado vê forças locais se fragmentarem; decisões sobre candidaturas e desgaste político entram no centro da análise pós-eleição

Valparaíso de Goiás encerrou as eleições de 2026 diante de um cenário que deve provocar uma reavaliação entre suas principais lideranças políticas: o município terminou a disputa sem eleger um representante próprio para a Assembleia Legislativa de Goiás ou para a Câmara dos Deputados.

Mais do que os resultados individuais das candidaturas, o cenário expõe uma divisão política que começou ainda antes do período oficial de campanha, quando as definições sobre quem disputaria cada cargo provocaram mudanças dentro do próprio grupo que comandou o município nos últimos anos.

Zeli pretendia disputar a reeleição estadual

Um dos principais pontos dessa história envolve o ex-prefeito Pábio Mossoró e a deputada Dra. Zeli.

Zeli, que já ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa, trabalhava inicialmente com o projeto de disputar a reeleição como deputada estadual. O desenho político, no entanto, mudou quando Pábio Mossoró decidiu entrar justamente na disputa por uma cadeira na Alego.

A movimentação provocou desconforto. Nos bastidores, a mudança foi recebida com insatisfação por Zeli e por pessoas próximas à sua articulação política, especialmente porque a expectativa anterior era de manutenção de sua candidatura estadual.

Com Pábio entrando na disputa estadual, Zeli mudou seu projeto e concorreu a deputada federal.

A partir daí, uma composição que poderia ter Pábio em uma disputa e Zeli buscando a renovação de seu mandato estadual passou por uma reorganização que teria reflexos durante toda a campanha.

Pábio declarou apoio a Zeli, mas grupo também se movimentou com Célio Silveira

Mesmo após a mudança, Pábio Mossoró manifestou publicamente apoio à candidatura de Dra. Zeli para deputada federal. Entretanto, o cenário político não ficou restrito a ela.

O grupo político também realizou reuniões e movimentos envolvendo o deputado federal Célio Silveira, outro nome tradicional do Entorno na disputa pela Câmara Federal.

Célio não chegava à eleição como um nome novo. O deputado federal iniciou seu primeiro mandato em fevereiro de 2015 e exerceu três legislaturas consecutivas na Câmara dos Deputados — 2015–2019, 2019–2023 e 2023–2027.

Na prática, portanto, dois candidatos a deputado federal ligados ao Entorno circulavam dentro de um campo político que mantinha relações com as mesmas lideranças: Zeli e Célio Silveira.

Diante desse cenário, Zeli também ampliou suas articulações para deputado estadual e passou a apoiar outros nomes além de Pábio. Entre essas alianças esteve Joscilene do Mangão, de Novo Gama, que saiu das urnas eleita para a Assembleia Legislativa.

Divisão pode ter custado caro a Valparaíso

O resultado final coloca em discussão uma pergunta inevitável: Valparaíso dividiu demais seus votos e suas forças políticas?

De um lado estava Pábio Mossoró tentando chegar à Assembleia. Do outro, Zeli havia deixado uma possível tentativa de reeleição estadual para disputar a Câmara Federal. Paralelamente, lideranças locais mantinham relações e compromissos com outros candidatos estaduais e federais.

A multiplicidade de projetos não é irregular nem incomum em uma eleição proporcional, mas o resultado político para Valparaíso foi objetivo: a cidade não conseguiu eleger nenhum nome diretamente identificado com o município para as duas Casas Legislativas.

Queda de popularidade e gestão Marcus Vinícius entram na discussão

Outro elemento que passou a ser discutido após as urnas é o peso político da atual administração municipal.

Nos bastidores políticos e entre moradores ouvidos pelo Portal Dama do Poder, há relatos de desgaste e de uma possível queda de popularidade do prefeito Marcus Vinícius. Parte das críticas está relacionada, segundo essas fontes, a compromissos e acordos políticos que não teriam sido cumpridos ao longo da gestão.

A avaliação, entretanto, precisa ser colocada em perspectiva: sem uma pesquisa recente de aprovação e desaprovação da administração municipal que permita mensurar esse movimento, não é possível transformar a alegada queda de popularidade em um dado estatístico. Trata-se, até o momento, de uma percepção relatada por fontes e atores do cenário político local.

Ainda assim, o resultado das urnas passa a ser um termômetro político importante para o grupo que atualmente administra Valparaíso. Pábio Mossoró deixou a Prefeitura após dois mandatos e participou diretamente da construção do atual governo. A incapacidade de transformar essa estrutura política em uma cadeira na Assembleia tende, portanto, a entrar nas discussões sobre a força atual do grupo no município.

Wilde Cambão amplia espaço político na cidade

Com Valparaíso sem eleger um deputado estadual próprio, abre-se também espaço para parlamentares de outras cidades do Entorno ampliarem sua atuação no município.

Um desses nomes é Wilde Cambão, deputado estadual com forte atuação regional e que mantém interlocução política em Valparaíso, inclusive por intermédio de lideranças locais como o ex–vereador Plácido Cunha.

Nesse novo desenho, a ausência de um parlamentar eleito diretamente pela cidade pode fazer com que lideranças locais busquem ainda mais deputados com atuação regional para intermediar demandas, recursos e articulações junto ao Governo de Goiás.

O recado deixado pelas urnas

Valparaíso é uma das principais cidades do Entorno do Distrito Federal e possui peso populacional, econômico e eleitoral. Ainda assim, chega ao período pós-eleição de 2026 sem conseguir converter esse potencial em uma cadeira própria na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

A trajetória de Pábio e Zeli ajuda a simbolizar o problema. Uma deputada estadual que inicialmente pretendia disputar a reeleição mudou para federal após o redesenho provocado pela candidatura estadual do ex-prefeito; posteriormente, diferentes nomes passaram a dividir os apoios das mesmas forças políticas.

O resultado não pode ser atribuído a um único fator ou liderança. Eleições proporcionais envolvem votação estadual, desempenho partidário, federações e cálculos de quociente eleitoral. Mas, politicamente, a mensagem deixada pelas urnas é relevante: enquanto municípios vizinhos conseguiram construir representação, Valparaíso terminou 2026 dividida e sem um deputado estadual ou federal para chamar diretamente de seu.

Da Redação | Portal Dama do Poder

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Amanda Escorsin

Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.