Publicado por: Amanda Escorsin | 5 set 2026
Eleito com 6,7 mil votos em 2018, ex-distrital alcançou mais de 20 mil quatro anos depois; ex-presidente da CCJ busca transformar trajetória de crescimento em retorno à CLDF
A corrida pelas 24 cadeiras da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) coloca novamente Reginaldo Sardinha (Mobiliza) entre os nomes que merecem atenção na disputa proporcional. Ex-deputado distrital e atualmente candidato pelo Mobiliza, Sardinha chega às eleições de 2026 carregando um dado eleitoral expressivo: em apenas quatro anos, praticamente triplicou sua votação.
Em sua primeira disputa para deputado distrital, em 2018, Sardinha recebeu 6.738 votos e conquistou uma cadeira na CLDF. Quatro anos depois, nas eleições de 2022, alcançou 20.107 votos, um crescimento de aproximadamente 198% em relação à eleição anterior. Apesar do avanço, terminou como primeiro suplente do PL. Os números constam no histórico divulgado pela própria Câmara Legislativa.
Agora no Mobiliza, o ex-parlamentar passa a ocupar posição estratégica dentro de uma eleição em que não basta analisar apenas o desempenho individual. Nas disputas proporcionais, a votação obtida pelo conjunto dos candidatos e pela legenda interfere diretamente na distribuição das cadeiras, tornando candidatos com histórico de votação expressiva especialmente importantes para o desempenho partidário.
Experiência dentro da CLDF
Sardinha também chega à eleição com um currículo que vai além de sua passagem pelo plenário.
Entre 2019 e 2022, exerceu mandato de deputado distrital e foi eleito duas vezes presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado responsável pela análise da constitucionalidade e admissibilidade de proposições que tramitam na Câmara.
No segundo biênio da 8ª Legislatura, também ocupou a Terceira Secretaria da Mesa Diretora da CLDF, entre 2021 e 2022.
Documentos legislativos daquele período registram sua atuação na CCJ, inclusive como relator de matérias submetidas à comissão.
Caso seja eleito, não chegaria à Câmara como um parlamentar de primeiro mandato, mas como alguém que já conhece o funcionamento interno da Casa e ocupou espaços relevantes em sua estrutura.
Da segurança pública à política
Antes da atuação parlamentar, Sardinha construiu parte importante de sua trajetória no serviço público e na área de segurança.
Formado em Direito e pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal, ingressou na Polícia Civil do Distrito Federal por concurso público em 1999. Também exerceu a função de diretor do Centro de Progressão Penitenciária (CPP).
A trajetória pelo Executivo local também antecede sua eleição para a CLDF. Em 2015, foi chefe de gabinete da Administração Regional do Cruzeiro e, posteriormente, assumiu a administração regional do Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal.
A combinação entre segurança pública, gestão administrativa e experiência parlamentar forma hoje parte do capital político apresentado pelo candidato em sua tentativa de retornar à Câmara Legislativa.
O paradoxo dos 20 mil votos
Talvez o número que melhor explique a candidatura de Sardinha em 2026 seja justamente o resultado de quatro anos atrás.
Em 2018, 6.738 votos foram suficientes para elegê-lo. Em 2022, 20.107 votos não foram suficientes para garantir uma cadeira titular.
A comparação evidencia uma característica fundamental das eleições proporcionais brasileiras em que uma votação individual elevada não significa, isoladamente, eleição garantida. O desempenho da legenda e dos demais candidatos da chapa também influencia a distribuição das vagas.
Para o Mobiliza, portanto, candidatos capazes de reunir votações expressivas podem exercer papel relevante não apenas em suas próprias campanhas, mas na construção do resultado coletivo necessário para a legenda disputar cadeiras na CLDF.
Peça estratégica
A eleição deste ano será, portanto, um novo teste para medir até onde chega a força eleitoral construída por Sardinha.
De um lado, estão a experiência de um mandato completo, a passagem pela presidência da CCJ, a atuação na Mesa Diretora e uma votação superior a 20 mil votos na última eleição.
Do outro, está uma disputa proporcional marcada pela necessidade de desempenho coletivo das nominatas e pela renovação dos nomes apresentados ao eleitorado do Distrito Federal.
É justamente nesse cenário que Sardinha passa a ser observado como uma das peças estratégicas do Mobiliza.
Mais do que saber se o ex-deputado conseguirá repetir os 20 mil votos de 2022, a eleição deverá responder uma questão decisiva para o partido: quanto a força eleitoral de Sardinha poderá contribuir para transformar votos em cadeiras na Câmara Legislativa?
Da Redação | Portal Dama do Poder
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Amanda Escorsin é jornalista, empresária e fundadora da Rede Damas do Poder. Formada em Comunicação Social – Jornalismo pelo UniCEUB, atua na cobertura de política, empreendedorismo e desenvolvimento institucional. É editora-chefe do Portal Dama do Poder e ex-diretora de redação do Portal Lupa Política. Idealizadora da Rede Damas, lidera um movimento que promove conexões entre mulheres, lideranças, empresas e o poder público, incentivando o empreendedorismo, a comunicação estratégica e o protagonismo feminino.