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Análise | Saída de Caiado, reação do União Brasil e articulações da direita redesenham o tabuleiro

Publicado por: Amanda Escorsin | 28 jan 2026

Por Amanda Escorsin

A saída do governador Ronaldo Caiado (PSD) do União Brasil, seguida da reação pública conciliadora do partido, ocorre em um momento de reorganização mais ampla do campo da centro-direita e da direita no Brasil. O episódio não pode ser analisado de forma isolada: ele dialoga diretamente com as articulações nacionais em curso para a eleição presidencial de 2026.

Ao adotar um discurso público de respeito e reconhecimento à trajetória de Caiado, o União Brasil opta por reduzir o desgaste institucional da ruptura. A mensagem de que “a política é feita de ciclos” funciona como um gesto de preservação de pontes, sinalizando que o partido evita transformar a saída em conflito aberto. Internamente, no entanto, a movimentação escancara tensões que já vinham se acumulando em torno da pré-candidatura presidencial de Caiado e das divergências estratégicas dentro da legenda.

Do lado de Caiado, a filiação ao PSD representa um reposicionamento calculado. O governador deixa um partido federado, com limitações internas e disputas de comando, para ingressar em uma sigla com maior autonomia decisória e estrutura nacional organizada. Não se trata de ruptura ideológica, mas de estratégia política: Caiado busca um ambiente mais favorável para sustentar seu projeto nacional sem travas internas.

Esse movimento se conecta diretamente às declarações recentes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirma a aliados ter entendimento político com os governadores Romeu Zema (Novo) e Ratinho Júnior (PSD). A sinalização de um eventual apoio em segundo turno revela que, apesar das pré-candidaturas múltiplas, há esforço para evitar a fragmentação definitiva do campo conservador.

Nesse contexto, Caiado não surge como adversário direto dessas articulações, mas como parte de um tabuleiro em que todos mantêm suas peças em jogo. A estratégia predominante é deixar o primeiro turno aberto, testando forças, enquanto se preservam canais de diálogo para uma convergência futura. A reação contida do União Brasil e o discurso moderado de Caiado reforçam essa leitura.

O cenário que se desenha é menos de confronto e mais de reposicionamento. A direita e a centro-direita vivem um momento de ajuste fino, em que lideranças regionais fortes tentam nacionalizar seus nomes sem romper completamente entre si. Caiado, Zema e Ratinho Jr. seguem como ativos políticos relevantes, cada um com base eleitoral própria, enquanto Flávio Bolsonaro busca se consolidar como polo agregador desse campo.

Em síntese, a saída de Caiado do União Brasil não enfraquece imediatamente nenhum dos lados, mas reorganiza o jogo. O partido preserva sua imagem institucional, o governador ganha margem de manobra, e o campo conservador segue fragmentado no discurso, porém cauteloso na prática. O verdadeiro teste dessa engenharia política virá mais adiante, quando o discurso de conciliação precisar se transformar em decisão concreta.

Da Redação

Amanda Escorsin

Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Amanda Escorsin atua como editora-chefe no portal Dama do Poder e atuou como Diretora de Redação no portal Lupa Política. A jornalista que se inspira em contar histórias, escolheu a profissão quando tinha 14 anos de idade e tem como suas paixões empreendedorismo, marketing e mundo corporativo.