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Publicado por: Amanda Escorsin | 20 jan 2026
Endividamento recorde e custo dos juros elevam a pressão fiscal e colocam a sustentabilidade das contas públicas no centro do debate nacional
O Brasil entrou em 2026 carregando uma das heranças econômicas mais sensíveis do ano anterior: o avanço expressivo da dívida pública e o estreitamento do espaço fiscal para investimentos e novas políticas de expansão. Em 2025, o país encerrou o período com projeções oficiais indicando um patamar recorde de endividamento, ultrapassando R$ 9,7 trilhões, o equivalente a cerca de 78% do Produto Interno Bruto (PIB). O número consolidou um cenário de forte pressão fiscal e ampliou o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas no curto e no médio prazo.
Dados do Banco Central e da Receita Federal indicaram que o crescimento do endividamento ocorreu em meio à combinação de déficits sucessivos, elevado custo da dívida e manutenção da taxa Selic em níveis altos, o que aumentou significativamente o gasto com juros. Em 2025, o déficit nominal, que inclui despesas com juros, chegou a projeções próximas de 8,6% do PIB, no maior patamar desde o início do Plano Real, reforçando a percepção de fragilidade fiscal e a dificuldade de acomodar compromissos do Estado sem ampliar ainda mais o endividamento.

Novo arcabouço fiscal sob pressão
O cenário fiscal se agravou mesmo após a implementação do novo arcabouço fiscal, aprovado em 2023 para substituir o teto de gastos. Embora o modelo tenha sido apresentado como um mecanismo de controle das despesas públicas, analistas apontaram que ajustes feitos ao longo do período acabaram flexibilizando metas, permitindo a inclusão de gastos fora do resultado primário e reduzindo a eficácia do instrumento como âncora de credibilidade.
Na prática, a leitura predominante é que o país chegou a 2026 com uma herança fiscal mais pesada e com maior exigência de previsibilidade e consistência nas decisões econômicas, principalmente diante de um mercado mais atento à trajetória da dívida e ao custo de financiamento do Estado.
Alertas técnicos e pressão institucional
O crescimento da dívida pública em 2025 se tornou um dos temas centrais do debate econômico e político, com avaliações públicas e técnicas apontando riscos crescentes para a estabilidade fiscal. Em declarações públicas, o ministro da Economia reconheceu que “a trajetória da dívida pública é um dos maiores desafios fiscais do Brasil” e afirmou que medidas de controle de gastos e reformas estruturais são essenciais “para recompor a confiança e garantir sustentabilidade no longo prazo”.
Especialistas do mercado reforçaram que “quando a dívida ultrapassa patamares próximos de 80% do PIB, o país fica mais vulnerável a choques externos e ao custo de financiamento”, elevando o risco de restrições fiscais mais severas nos próximos anos. O Banco Central também registrou em relatórios que “a evolução das contas públicas em 2025 revela fragilidades estruturais que exigem atenção imediata”, sobretudo diante do cenário internacional de juros elevados e maior cautela de investidores.
No Congresso, o tema ganhou contornos de urgência em falas de parlamentares que defendem que “precisamos de medidas concretas de ajuste fiscal para proteger a economia e os serviços públicos” e que “a questão da dívida não pode ser ignorada”, sinalizando que a condução fiscal tende a permanecer como um dos principais focos de disputa política e econômica ao longo do ano.
Riscos no horizonte e impactos na economia real
Economistas avaliam que, caso a trajetória de endividamento não seja revertida, o Brasil pode enfrentar restrições fiscais mais severas a partir de 2027, com impactos diretos sobre investimentos públicos, políticas sociais e crescimento econômico. O aumento da dívida também pressiona o custo de financiamento do país, influencia o câmbio, afeta expectativas inflacionárias e limita a capacidade do governo de reagir com rapidez a crises futuras.
Com isso, 2026 se consolida como um ano decisivo: mais do que herdar o cenário de 2025, o país passa a viver um teste de resposta institucional. A forma como governo e Congresso conduzem metas, despesas e reformas deve influenciar a confiança interna e externa na economia brasileira, além de determinar o grau de estabilidade para consumo, crédito e investimentos.
O que em 2025 foi tratado como alerta, em 2026 se consolida como ponto de partida. A dívida pública em nível elevado e o custo crescente do financiamento tornam o equilíbrio fiscal uma das principais disputas do ano, com impacto direto sobre investimentos, políticas públicas e a estabilidade econômica. O desafio agora é transformar o diagnóstico em resposta, antes que a conta se torne ainda mais pesada.
Da Redação
Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Amanda Escorsin atua como editora-chefe no portal Dama do Poder e atuou como Diretora de Redação no portal Lupa Política. A jornalista que se inspira em contar histórias, escolheu a profissão quando tinha 14 anos de idade e tem como suas paixões empreendedorismo, marketing e mundo corporativo.