Imagem Ilustrativa: Dama do Poder
Publicado por: Amanda Escorsin | 16 jan 2026
Movimento de contestação enfrenta endurecimento do governo, enquanto a história da Revolução Islâmica ajuda a explicar o modelo político que mantém o país sob forte controle religioso e estatal
O movimento de protestos no Irã tem mostrado sinais de enfraquecimento diante do avanço de uma repressão considerada “brutal” por observadores internacionais. Após semanas de mobilizações, a presença intensificada das forças de segurança, o aumento de prisões e a vigilância sobre manifestações reduziram a adesão popular nas ruas, criando um cenário de medo e retração.
Mesmo com a diminuição da intensidade dos atos, a insatisfação social continua latente e expõe uma tensão que atravessa décadas: a disputa entre demandas por liberdade e o modelo político estabelecido no país desde a Revolução Islâmica de 1979.
O atual sistema iraniano foi consolidado após a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, quando o aiatolá Ruhollah Khomeini retornou do exílio e liderou uma transformação histórica. A revolução derrubou a monarquia e instaurou uma República Islâmica baseada em princípios religiosos, criando uma estrutura de poder onde a liderança clerical passou a ter papel central na condução do Estado.
A partir desse marco, o Irã se tornou uma teocracia, em que a religião influencia diretamente leis, comportamento social, políticas públicas e o controle sobre instituições. Na prática, isso reforçou mecanismos de fiscalização e punição que seguem presentes até hoje, especialmente em momentos de crise e contestação.
Nos protestos mais recentes, o padrão observado repete elementos históricos: quando a pressão popular cresce, o governo tende a responder com rigidez, buscando evitar que manifestações se transformem em um movimento de ruptura política.
Analistas avaliam que a redução dos protestos não significa necessariamente o fim do conflito social, mas pode indicar uma mudança de estratégia. Com o risco elevado de represálias, parte da mobilização pode migrar para formas menos visíveis de resistência, como ações pontuais, organização em redes e manifestações descentralizadas.
O cenário atual mostra que o Irã segue enfrentando um dilema estrutural: de um lado, uma população — especialmente jovens e mulheres — que cobra mudanças, direitos e mais liberdade; do outro, um Estado que se sustenta em bases religiosas e mecanismos de controle construídos desde 1979.
A comunidade internacional acompanha o caso com atenção, enquanto o país permanece no centro de debates globais sobre direitos civis, liberdade de expressão e o impacto da repressão em regimes fechados.
Da Redação
Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Amanda Escorsin atua como editora-chefe no portal Dama do Poder e atuou como Diretora de Redação no portal Lupa Política. A jornalista que se inspira em contar histórias, escolheu a profissão quando tinha 14 anos de idade e tem como suas paixões empreendedorismo, marketing e mundo corporativo.