Jair Bolsonaro e Donald Trump durante coletiva na Casa Branca em 2019, quando ambos eram presidentes de seus países. Crédito,Getty Images
Publicado por: Amanda Escorsin | 13 dez 2025
Recuo do apoio americano e reaproximação com o governo Lula indicam novo alinhamento diplomático
Especialistas em relações internacionais observam uma mudança clara na postura do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao círculo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontando um distanciamento que, segundo eles, deixa a família Bolsonaro “à própria sorte”.
A avaliação foi feita por Brian Winter, editor da revista Americas Quarterly, em entrevista à BBC News Brasil. Para Winter, a recente decisão de Trump de revogar sanções aplicadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa sob a Lei Magnitsky representa uma reviravolta significativa na política externa americana em relação ao Brasil.
Segundo o analista, a alteração de rumo sinaliza o fim de uma estratégia anterior, iniciada em julho, quando os Estados Unidos impuseram medidas punitivas ligadas à crise política brasileira. Ele classificou a mudança como um “abandono total” da política anterior que favorecia abertamente Bolsonaro e seus apoiadores.
‘Ele sempre mudará sua estratégia caso ela não esteja funcionando […] Mas é evidente que ele decidiu que, por enquanto, não tem como ajudar a família Bolsonaro. Ele está deixando a família Bolsonaro à deriva’, afirmou Winter.
A revogação das sanções aplicadas sob a Lei Magnitsky, mecanismo usado pelos Estados Unidos para penalizar estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou corrupção, foi encarada por especialistas como um indício de que Washington está priorizando o diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem Trump tem mantido interlocuções diretas.
Além disso, a retirada das sanções ocorre em um momento em que algumas tarifas sobre produtos brasileiros, como café e carne, foram ajustadas ou ampliadas nas listas de exceções, em parte para mitigar pressões inflacionárias internas nos EUA.
Para analistas, essas mudanças não significam um corte definitivo de Trump em relação aos aliados ideológicos na América Latina, incluindo governos conservadores em países como Honduras e Argentina, mas indicam que o apoio explícito à família Bolsonaro não está mais no centro da agenda do governo Trump.
A decisão americana gerou reações entre integrantes do universo bolsonarista. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ativo nos Estados Unidos e um dos principais articuladores das sanções contra Moraes, afirmou em nota que recebeu a notícia com “pesar”, mas reafirmou o compromisso com sua missão política.
Ele também ressaltou que espera que a decisão americana proteja os “interesses estratégicos do povo americano” enquanto o grupo político trabalha para “encontrar um caminho que permita a libertação do país”, em referência ao encarceramento judicial de Bolsonaro.
Especialistas políticos também destacam que o realinhamento nas relações entre Washington e Brasília pode estar ligado a prioridades mais amplas na agenda internacional dos EUA, incluindo questões comerciais e geopolíticas, como o interesse em recursos naturais estratégicos presentes no Brasil.
A mudança de postura americana chega em um momento de intensa movimentação política interna no Brasil, com projetos de lei no Congresso que podem alterar penas de condenados por crimes relacionados ao episódio de 8 de janeiro de 2023 e debates sobre o futuro do bolsonarismo no país.
Da Redação
Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Amanda Escorsin atua como editora-chefe no portal Dama do Poder e atuou como Diretora de Redação no portal Lupa Política. A jornalista que se inspira em contar histórias, escolheu a profissão quando tinha 14 anos de idade e tem como suas paixões empreendedorismo, marketing e mundo corporativo.